Abençoadas partidas dobradas: o segredo revelado!
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Abençoadas partidas dobradas: o segredo revelado!

Abençoadas partidas

Abençoadas partidas dobradas: o segredo revelado!

Em nosso primeiro texto descobrimos que a contabilidade nasceu junto com o conceito de propriedade, quando o homem passou a sentir necessidade de controle registro de seus bens e suas mercadorias.

A invenção do papel (que na época se chamava papiro) fez a contabilidade dar um salto não em técnica, mas pela facilitação do registro (fichas de barro não parecem muito práticas).

Mas o Frei Luca Bartolomeu de Pacioli, ao introduzir o método das partidas dobradas registrado no livro “Summa de arithmetica, Geometria proportioni et propornalitá” (1494), elevou a Contabilidade que passou a ser considerada uma ciência. É verdade que muitos outros estudiosos contribuíram para a evolução do “método das partidas dobradas”, aliás, como tudo nas ciências, o trabalho de descoberta e evolução é sempre um processo coletivo de melhoria continua.

Mas voltando às “partidas dobradas”, vamos começar pelo começo. Método é uma palavra que vem do grego (methodos) e significa o caminho, os meios empregados para chegar a um objetivo. Portanto, método das partidas dobradas foi e ainda é reconhecido como o mais eficiente “método de escrituração”, ou seja, processo de registro de fatos contábeis.

Mas para entender porque “dobradas”, precisamos entender o que significa Débito e Crédito. Todos nós já ouvimos falar nisso. Ao menos ao olharmos nossos extratos bancários, sabemos que o saldo é credor ou devedor, não é mesmo?

Pois bem. A “partida simples” é aquela que só registra o débito ou o crédito, portanto, equivale ao que seria o “livro caixa” que fazemos em casa onde registramos todas as entradas e saídas. Imagine que gastamos no supermercado cem reais comprando material para fazer brigadeiros gourmet para venda. Registramos isso como uma saída, certo? Só que os brigadeiros feitos a partir daquela saída ficam sem registro, porque não são nem saída nem entrada.

Então, apenas quando conseguimos vender os brigadeiros é que vamos registrar uma nova entrada. Nisso, perdemos várias informações importantes para entendermos a formação do custo com o brigadeiro como um produto, o que seria um ótimo referencial para pensarmos sobre o preço de venda, certo?

Justamente por conta dessas ineficiências das “partidas simples”, o método das partidas dobradas acabou se tornando a referência da Contabilidade. Nele, para cada débito tem que haver um ou mais créditos que somados devem sempre dar o mesmo valor. Gastei R$ 100,00 para comprar material para o brigadeiro (crédito – C), tenho que ter R$ 100 em brigadeiros prontos (débito – D). Vendi todos os brigadeiros? Então preciso eliminar o registro de “estoque” de brigadeiros no valor de R$ 100,00 (crédito – C) e registrar a entrada do dinheiro em função da venda, R$ 110,00 (débito -D).

Opa! Mas surgiu um R$ 10,00! Assim o registro vai ficar “perneta”! Ou seja, uma perninha (o débito), ficou maior que a outra (o crédito). Como resolver isso? Este é o assunto do próximo post onde vamos aprender a visualizar o débito e o crédito em contas “T”, a partir do caso “Brigadeiros Gourmet”.

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PS – Luca Pacioli não era só Frei. Como todos os grandes pensadores desta época, Luca Pacioli era um célebre matemático, amigo de Leonardo da Vinci e foi professor em Milão.

Luciana Ibiapina Lira Aguiar
lucianaliraaguiar@gmail.com

Estudante Profissional. Mãe da Luiza e da Júlia. Mestre em Direito Tributário. Economista, Advogada e Contadora. Professora do GVLaw.

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